segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Erro



Depois do meu pressentimento em sonho, que veio confirmado pelo seu comunicado, decidi me afastar. Pensei que seria melhor assim... pra você e pra mim.


Não sei se você lembra dos detalhes que contei.
Mas no final do sonho eu chorava enquanto você partia, fazendo um grande esforço para não olhar na minha direção.
E eu sentia o vazio e a dor.


Desde lá, você nunca mais tinha aparecido em sonho.
E como eu procurei. E eu procurava enlouquecidamente sem saber o quê.
Eu fui até o Nova Era várias vezes!
Entrava nas salas, procurava e procurava. (Re)Encontrava várias pessoas.
Só você que não. Você nunca estava lá.


Foram vários sonhos.
E sempre a mesma sensação de agonia e frustração.
Demorei um tempo até perceber que era você que eu procurava.


Por causa dessa imagem (acima), eu dei mais um passo atrás.
Segui no caminho do silêncio/ausência e fiquei inerte, vendo o tempo passar.
28 de julho é uma das poucas datas que tem um significado tão importante pra mim: significa você.
Você sempre insistiu em achar que eu esqueceria.
Eu sempre lembrei. Sempre vou lembrar.


Porque eu te amo, resolvi sumir.
Nunca quis atrapalhar sua vida.
Sempre quis sentir você feliz.


Mas na noite retrasada você veio!
Fomos nós dois.
E como foi lindo. E como a gente se amava por sorrisos, olhares e conversas.
Quando acordei, só consegui pensar que toda essa bobagem de distanciamento tinha que acabar. Que eu quero poder falar contigo e ser o João, e você falar comigo sendo a Fernanda, independente de como está a tua vida e como está a minha.
O que a gente é, é muito grande, transcende.
Estamos pra além dessa realidade.
Parece bobo, mas eu penso assim.


E odeio nossos orgulhos e nossos mal entendidos.
Mas isso sempre fez parte da gente, né?
Quanta coisa a gente perdeu por causa de falta de diálogo.
Eu falo pouco, faço pouco, eu sei.
Por isso resolvi fazer algo:

Em primeiro lugar, preciso te pedir desculpas por sumir.
Foi um grande erro! Uma burrada sem tamanho...
Segundo dizer que estou aqui, e que continuo sendo o imbecil do João.
Terceiro que sinto tua falta e que te amo. Mas também que não quero de forma alguma te prejudicar, te atrapalhar, te deixar infeliz.

Mas também descobri que não tem como eu ser feliz e me sentir tranquilo/bem sem contato com você.
É triste, é agoniante, dói.


Você merece ser a pessoa mais feliz do mundo. Você é linda.
E quanta luz você trouxe pro meu sonho!
E como eu sentia falta disso.
Deu vontade de chorar de alegria.


Foi lindo te reencontrar em sonho.
E eu gostaria muito de poder te reencontrar na vida real.
Até porque ela é uma só e não sei quanto tempo eu ainda vou durar.


Tem acontecido muita coisa na minha vida e queria poder compartilhar contigo.
Se você quiser...

domingo, 27 de julho de 2014

Praticando a não-monogamia quero mais afeto.

Fonte: http://reinvencaodoser.wordpress.com/2014/07/15/praticando-a-nao-monogamia-quero-mais-afeto/

Desde que deixei de morar com meu “ex-marido” passei a repensar as formas de relações e cheguei a conclusão de que a monogamia não está para preservar o afeto, o amor e nem as relações amorosas/romanticas/sexuais.
Compreendo que a monogamia é um sistema que está de mãos dadas com a propriedade privada, a transmissão do capital e o patriarcado, sendo que desde sua base estava ali para servir a dominação das mulheres, das crianças e com o tempo foi se enraizando cada vez mais em nossa sociedade e servindo à heterossexualidade compulsória e se tornando um sistema complexo que de nada tem a ver com a relação entre duas pessoas, tres pessoas ou mais pessoas, afinal podemos ver outros sistemas de relações onde podemos ver a dominação acontecendo.

O RLI foi um grupo militante que sem duvidas me ajudou a enxergar muitas coisas das quais a monogamia vai se apossando e dominando, porém também não acho que ele soluciona ainda a questão.
Desde então tenho buscado relações não monogâmicas e conhecido pessoas incríveis nesse meio e que sem dúvidas muitas delas tem sido minha família e estão ao meu lado debatendo e me ajudando a expandir minha consciência.

Por esses dias escrevi um poema sobre uma relação que tenho vivido e esse poema muito me encantou e ao terminá-lo vi o quanto rejeitei muitas coisas das quais falavam sobre relações afetivas, das quais eu logo ligava à monogamia e comecei a pensar o quanto a não-monogamia me fez rejeitar muitas coisas românticas que não eram obrigatoriamente monogamia ou amor romântico, era somente expressões de afeto, nem todo afeto é amor romântico, nem toda paixão é monogâmica e tenho aprendido isso no aprofundamento das minhas relações.

É difícil admitir algumas coisas, mas tenho refletido muito sobre a forma como me relaciono com o afeto e digo que é muito difícil lidar com isso, é complicado lidar com afeto, com envolvimento, com aquilo que você sente quando sua pele encosta na pele de alguém que você ama ou então lidar com aquilo que você sente quando fica muito tempo longe de quem você ama.
Precisamos aprender a falar sobre isso.

Temos olhado a monogamia não como a relação que acontece entre duas pessoas que se amam, mas sim o sistema que rege o modelo dessa relação, o modelo que esse afeto irá se desenrolar e já que olhamos a monogamia como aquilo que acontece estatisticamente na sociedade, temos que falar sobre como nossos afetos se desenrolam socialmente e como isso é vivido também de forma coletiva, afinal a monogamia se enraizou também nos nossos afetos.
Já se esquematizou a monogamia e já olhamos ela historicamente, materialmente e como ela tem sido vivida nos dias de hoje, já vimos como o patriarcado tem enfiado suas garras nas nossas relações e como precisamos brigar todos os dias com ele para que ele fique longe e isso foi muito importante, agora vejo e creio que temos que evoluir o debate e ver para onde podemos continuar construindo.

Acredito que temos e podemos começar a debater como temos feito para nos livrar disso de forma prática, pois tenho me deparado com teorias muito lindas e práticas que muitas vezes mais nos afastam do afeto do que propriamente do patriarcado, não quero olhar para o afeto com a mesma aversão que olho para a monogamia, quero poder sentir a pele nua da pessoa que eu amo encostando na minha pele e ver aquela sensação de forma linda, da forma que deveria ser olhada.

Com isso não quero dar margem para que a gente debata coisas infantis e imaturas que justifiquem a nossa dominação sobre qualquer pessoa, não quero que isso dê margem para punhetas patriarcais, não quero que isso dê margem para a gente olhar o ciúmes, como muitos olham, e colocar a culpa dele no outro e dizer que quem é responsável por isso é o outro, justificando a interdição do desejo do outro, mas também não devemos colocar a toda culpa do ciúmes sobre nossos ombros e começar a chicotear nossas costas quando sentirmos isso, acredito que o afeto e o amor deve ser olhado, vivido e sentido de forma leve e suave.

Não hierarquizar nossas relações não deve dar margem para utopias que digam que todos os nossos afetos são iguais, pois eles não são, acredito que o afeto nos ajuda a nos organizar socialmente e a consciência de classe nos ajuda a nos organizar politicamente.

O afeto faz com que eu traga pessoas para perto de mim, o afeto que eu sinto pela minha família, não é o mesmo que sinto pelos meus amigos, o afeto que sinto pela minha mãe não é o mesmo que sinto pelo meu pai, o afeto que sinto pelo meu companheiro não é o mesmo que sinto pelo meus amigos e o afeto que eu sinto pelos meus amigos não é o mesmo que sinto pela galera da faculdade e assim por diante, não dá para a gente ser ingenuo e dizer que isso é hierarquia, pois hierarquia tem a ver com dominação e não com maior ou menor importancia que as pessoas tem na minha vida, posso muito bem amar um amigo, transar com ele, beija-lo, abraça-lo e querer muito estar perto, mas dizer que isso que eu faço com meu amigo tem o mesmo grau de importância ou é igualzinho ao que eu faço com a pessoa que eu me relaciono afetivo e sexualmente aí para mim já é diluir as relações em um nível tão, mas tão utópico que não consigo compreender, até por que eu não tenho fuck friend e não consigo lidar com isso (sou menos revolucionário e desprendido por conta disso galerinha sexy positive?), o afeto me organiza, o afeto faz com que as pessoas que gosto mais e que amo mais estejam perto de mim, SIM, e tem gente que não está tão perto de mim, por termos vidas e rotinas diferentes, mas que gosto tanto quanto quem está perto e chamo isso de amor, SIM.

A consciência de classe me faz ter noção de onde eu estou e quem eu sou na sociedade e me faz começar a procurar amizades e estar em lugares onde pessoas que pertencem a mesma classe que eu estejam, compreender que preciso me unir as pessoas de classes oprimidas e ouvi-las, ver o que elas estão construindo e nos juntarmos para sair da nossa situação de subalternidade, e o afeto vai se desenrolando nisso tudo, mas uma coisa não é outra.

Então eu me oponho à essa noção de hierarquia de relações como todos os afetos são o mesmo afeto, me oponho à isso e acredito que temos sim que respeitar o afeto e compreender que ele nos organiza socialmente e compreender que o afeto é algo muito bom, é uma linguagem não falada, acredito que é uma linguagem sinalizada, através da forma como respiramos mais aliviados quando estamos com alguém que nos desperta afeto, a forma como nossos olhos ficam quando estamos com alguém que nos desperta afeto, assim acredito que o afeto é também uma linguagem (afinal olhamos a linguagem de uma forma capacitista, como se linguagem fosse somente aquilo que emite som, e não é).

Assim, concluo que muito do que se constrói e do que se debate em meio não-monogâmico nos leva para relações patriarcais com raízes mais flexíveis ou para relações mais desprovidas de afetos e rasas e a partir dessa minha conclusão eu vejo que isso mais me confunde do que me auxilia, pois eu quero sim uma relação afetiva que dure, eu quero sim uma relação afetiva que o sexo seja incrível, eu quero sim uma relação afetiva onde o afeto seja profundo, eu quero sim uma relação afetiva onde quando a pele nua da outra pessoa encostar na minha pele nua me produza sensações incríveis, eu quero sim uma relação afetiva onde possamos pensar em relação longa e profunda (afinal eu já vi relações longas de gente com relação livre que mais parecia união pela revolução do que amor e cumplicidade de fato), eu quero uma relação sincera, eu quero uma relação coerente.

Vejo também que muito do que se debateu na não-monogamia coloca toda galera em um mesmo balaio, achando que a relação heterossexual tem as mesmas problemáticas da monogamia duma relação entre duas mulheres, ou que a mulher cis e a mulher trans são dominadas da mesma forma em suas relações afetivas e que seu afeto é norteado pela mesma ótica dentro do patriarcado, ou que o ciúmes dessas mulheres tem a mesma raiz, acho que precisamos nos unir mais e debater isso de forma coletiva, com o coletivo e não um monte de gente olhando a realidade material das relações que lhes convém da mesma forma sem os recortes necessários e falando por todos.

Quero que possamos nos distanciar da monogamia sem chamar o amor e o afeto de monogamia, quero uma relação livre que não seja rasa sentimentalmente e que não seja desafetada, sinto que ao muito se debater a politica da relação, pouco se debateu o afeto e nas minhas relações eu quero é muito afeto!!!

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Desgaste

Desde nunca tão gasto,
insensatez por todos os laços.

Frutas podres escolhidas,
de sementes interrompidas.

Descaminhos movediços,
sentimentos sem sentidos.

O pião vacilou.
Duas vezes. Eu vi!

Logo cai
e o tempo pára.

Realidade acorda.
O sonho acaba.

Somos pouco mais que nada.

domingo, 22 de junho de 2014

O fantasma do amor romântico nas relações livres

http://amoreslivres.wordpress.com/2013/12/21/o-fantasma-do-amor-romantico-nas-relacoes-livres/

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Espelho

A amizade está ali. Ela te vê exatamente com os detalhes que você nunca vai ver. Te sente por toda ausência. Te ama por todo despreparo e improviso. Te espera por entre cada brecha de caos. Resiste com a força de quem tem a força de quem chegou onde chegou com tanta força. É um dos maiores orgulhos que se pode ter fora de si.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Rancho do Pecador

(In)seguro o contato.
O que será agora dos anteontens?
Inspiro e expiro "o que eu faços",
e no estômago, borboletânsias.
Reticências escondem o objetivo direto,
deixando-me sempre no ponto cego.
Mas o "grande pecado" mostrou a sua face:
nossas puras vontades.
E aquelas asas falsas despedaçaram-se
bem longe de nossas verdades.
Desatamos nós,
e tu és a primeira pessoa nesse plural.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Fita métrica


Ofereciam – nos
- nós -
Como parte
Do contrato:
Terra
Nome
Dote.

O destino exato,
Métrico:
Objeto de mobília
Útero

Românticos,
De longe
Olharam:
Olhos púrpuras azuis anil
Donzela,
Amada,
Névoa
Que desfaz.

O destino etéreo,
Métrico:
Sub existir,
Na evanescência
De ser miragem
E não corpo
Que sangra.

Nos medem,
Milimetricamente
A palavra
O passo
O vacilo:
Quantas lágrimas você chora?
Para quantos você deu?

Já cuidou do seu cabelo? Já passou a sua roupa? Já brilhou o seu sorriso?
Já contou a sua grana? Já lustrou os seus sapatos? Já malhou a sua bunda? Já limpou suas crianças? Ariou a prataria? Comprou a nova revista? Apagou a marca do rosto? Engoliu mais um desgosto? Conhece a nova dieta? Satisfez um homem hoje? Comprou aquele vestido?
Tirou a poeira dos livros? Pendurou o certificado? Já escondeu os seus anseios? Alisou teus devaneios? Já cuidou do lar? Já fudeu gostoso? Já gozou de quatro? Andou de carro novo?

A cada esquina uma imagem
Te dizendo:
Seja!
Seja!
Seja!

O destino fatal,
Métrico:
Outdoor,
Vitrine,
Manequim.
A moça branca lisa e sorridente
Do comercial de margarina.

Mas não se enganem!
Essa
Tua fita métrica
Sua balança
As vidraças
Que rodeiam essas jaulas
Suas correntes
Nunca serão
Fortes o suficientes
Para nos ditar
Caminhos.

Pois quebramos teus vidros
E erguemos no grito
Esse corpo que é arma
 
Se fizeram
Do nosso corpo
Latifúndio
Propriedade privada
Para vossa exploração
Faremos - nos terras griladas
Por nós mesmas
Ocupando nossos destinos
Com pulsos erguidos
E seios de artilharia.

Não se enganem!
Essa fita métrica
Que querem enrolar em nossos pescoços
Em nossas cinturas
Estrangular nossos sonhos
Nossos sorrisos
Rasgamos com os dentes.

Não se enganem!
Estos cuerpos
Son nuestros cuerpos
Aguerridos
De força
E Libertação.

(M.Q.)

domingo, 8 de junho de 2014

Atraição

Um alô ao engano
e outro desencontro marcado.
A chama da perdição,
sem alarde, arde.

Em busca de encontrar-me por procuração,
escancaro no desconhecido minha expressão descarada.
Sexo sem tesão, ato por ato sem ação.
Dirijo-me à ficção mecânica,
entrego-me à fixação espontânea.

O semblante, o sonho e o convite em verde.
Diálogos no limbo
à espera de tempo aberto.

Mas uma árvore desprendeu suas raízes
e quebrou a janela esquecida.
Uma ventania anunciou bruta mudança
atravessando meu peito como uma lança.

Alívio?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Em dia, brado!


As loucuras se desnudam
nas (a)traídas persistências.

As persistências se traem loucas,
nuas de atrações inocentes.

Das inocências instigantes,
amargores inconsequentes.

Se mentes, ao contrário brotas: dás com os frutos pelas raízes.

Sentimentira. Nela crê e ditas.
O seu rumor não é caminho, no seu acho não há crédito.

O seu des espero que passe.
Entre nós só ateísmo.


sexta-feira, 14 de março de 2014

Carta à João

"O sorriso é mais bonito e mais seguro quando dado em liberdade! Um calor escaldante pode ser muito mais quente numa noite de verão em terras desconhecidas do que na nossa própria terra.
É, a vida tomou outro caminho...
A política pode ser muito mais fácil quando feita com amor, e mais fácil ainda, quando feita por amor!

É, as coisas não são mais como eram antigamente...

O anarquismo tem muito mais sentido quando vivido, ou ao menos na ilusão de que em algum canto do coração ele vive e pulsa forte!

É, a vida já não é a mesma de antes...

Nos prender nas cordas e correntes que criamos, nos faz olhar as nossas vidas, antes sem elas, apenas com demagogia e saudade!

É, a vida anda bem diferente...

O livre e a mudança se transformam em medo, a segurança nos engana como um caminho possível, e a saudade alimenta uma esperança quase morta de que um dia será diferente!

Somos nós que estamos diferentes!

Uma construção não acabada, hoje, serve mais como uma grande crítica do que como possibilidade!
É, estamos esperando demais do Estado...

E a cerveja em meio à lama, serve cada vez mais para nos conformar do que para expressar nossos sentimentos mais sinceros!

É João, talvez a borboleta viva apenas 24h mesmo..."