sexta-feira, 30 de março de 2012

Carta a Pablo – Bakunin


Paris, 29 de março de 1845

Sou eu mesmo, como antes, inimigo declarado da realidade existente, só que com uma diferença: eu parei de ser um teórico, eu venci, enfim, em mim, a metafísica e a filosofia, e me entreguei inteiramente, com toda a minha alma, ao mundo prático, ao mundo dos fatos reais.

Acredite em mim, amigo, a vida é bela; agora tenho pleno direito de dizer isto porque parei há muito tempo de olhá-la através das construções teóricas e de conhecê-la somente em fantasia, pois experimentei efetivamente muitas das suas amarguras, sofri muito e me entreguei frequentemente ao desespero.

Eu amo, Pablo, amo apaixonadamente: não sei se posso ser amado como gostaria que fosse, porém não me desespero; sei ao menos que tem muito simpatia por mim; devo e quero merecer o amor daquela a quem amo, amando-la religiosamente, ou seja, ativamente; ela está submetida à mais terrível e à mais infame escravidão e devo libertá-la combatendo aos seus opressores e incendiando no seu coração o sentimento da sua própria dignidade, suscitando nela o amor e a necessidade da liberdade, os instintos da rebeldia e da independência, fazendo a recordar a sensação da sua força e dos seus direitos.

Amar é querer a liberdade, a completa independência do outro; o primeiro ato do verdadeiro amor é a emancipação completa do objeto que se ama; não se pode amar verdadeiramente a não ser alguém perfeitamente livre, independente, não só de todos os demais, mas também e sobretudo daquele de quem é amado e a quem ama.

Esta é a profissão da minha fé política, social e religiosa, aqui está o sentido íntimo, não só dos meus atos e das minhas tendências políticas, mas também, o tanto quanto posso, da minha existência particular e individual; porque o tempo em que poderiam ser separados estes dois gêneros de ação está muito longe da gente; agora o homem quer a liberdade em todas as acepções e em todas as aplicações desta palavra, ou então não a quer de modo algum; querer a dependência daquele a quem se ama é amar uma coisa e não um ser humano, porque o que distingue o ser humano das coisas é a liberdade; e se o amor implicar também a dependência, é o mais perigoso e infame do mundo porque é então uma fonte inesgotável de escravidão e de embrutecimento para toda a humanidade.

Tudo que emancipa os homens, tudo que, ao fazê-los voltar a si mesmos, suscita neles o princípio da sua vida própria, da sua atividade original e realmente independente, tudo o que lhes dá força para serem eles mesmos, é verdade; todo o resto é falso, liberticida, absurdo. Emancipar o homem, esta é a única influência legítima e bem-feitora.

Abaixo todos os dogmas religiosos e filosóficos – não são mais que mentiras -; a verdade não é uma teoria, e sim um hecho (fato/feito); a vida é a comunidade de homens livres e independentes, é a santa unidade do amor que brota das profundidades misteriosas e infinitas da liberdade individual.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Você pensa que nunca vai esquecer, e esquece. Você pensa que essa dor nunca vai passar, mas passa . Você pensa que tudo é eterno, mas não é. (C. Lispector)

quinta-feira, 15 de março de 2012

Poli & cia.

Se é 'poli', o amor
polui o amor?
E se polir um só amor,
cabe amar todo o amor?
Me policio, me sacio e me policio.

Ou poli, ou polirei...
Porque no presente polir não encontrei.
Uma decisão e tanto!
Política na ação.
Condição, abstração... sensatez ou não.

Fica a lição:
pensar e querer
estão em constante
contradição.

Dialeticamente diletante.
é a contradição outra
de dois pólos distantes
poeticamente conviventes.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Anônimo
- 21/11/2007
Lindo adj 1 Bonito, formoso. 2 Agradável e grato à vista.

Paz sf 1 Cessação de hostilidades 2 Tranqüilidade pública 3 Concórdia 4 Sossego, descanso.


Suave como o silêncio..

quinta-feira, 1 de março de 2012

Arruinando

Vai-e-vem, vai-e-vem, vai-e-...
Vai? Só vai. Como sempre foi.
Como todos os ciclos: começo, meio, fim.

Fins são novos começos,
necessários.
Nada acabou,
mas esse pressentimento é conhecido.

Essa pitada de não liberdade,
que acelera com agonia o coração.

"Alguma coisa vai... acontecer!
Vai... Acontecer!
Viver é encontrar maneiras diferentes de não morrer"?
Morto-vivo, morto-vivo, ...-vivo! .....................................

E as pedras vão rolando, o mato vai crescendo
e a ruína ganha um novo significado.
Repleto da beleza de tudo que ali existiu.

Pra apreciação de quem não tem nada a ver
com o que passou.
E que supõem mentiras fantasiosas
do nada que sabem.