quinta-feira, 21 de junho de 2012
Alucinação
Fria geração:
bunda tela umbigo
Indigesta vontade.
Engessado
ânimo de injeção
Escuridão, exclusão, escravidão...
Não gere nada,
não gera ação.
No espelho ecoa o ego
multiplicado ao infinito,
sem direção.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Pro Mess
Descontinuidade: única saída
nunca mais mentiras promissoras prometidas.
Desculpas sinceras de culpas consentidas
estabilidade falsamente co-gerida.
Desespero, desamparo...
Desassossego, desapego.
Ao sentir-me ausente, me sinto.
Sinto muito! Só assim sou.
nunca mais mentiras promissoras prometidas.
Desculpas sinceras de culpas consentidas
estabilidade falsamente co-gerida.
Desespero, desamparo...
Desassossego, desapego.
Ao sentir-me ausente, me sinto.
Sinto muito! Só assim sou.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Consumir o tempo
Tentando a todo custo dominar a fera que lhe escapa numa série de tempos
diferentes. E quando se pensa apanhá-la, ela já não é. Tudo é fugaz,
uma corrida atrás do vento. Embaixo da linha que divide o dia da noite, o
fotógrafo perdeu a melhor parte. E o que seria se tivesse escolhido o
caminho mais curto? Nenhum instante pode ser preso. Relógios deixaram
escapar mais uma vez... E eu não vou prender. Não vou perder de novo a
chance de ver o sol indo embora, se o horizonte agora é quase cinza,
mais que quem disse que podemos imaginar, se pudéssemos sentir. Não
espere até o momento de aplaudir o ato. Vem! É esta a mão que anula e
despedaça... Nossos pés que dançam sobre escombros. Todos os dias em que
não há dança estão perdidos. Todos os dias em que não há dança estão
perdidos. Todos os dias em que não há dança até a pele arder, incomodar e
nos mover.
(Colligere)
http://www.youtube.com/watch?v=MlhFAAtg8wc
(Colligere)
http://www.youtube.com/watch?v=MlhFAAtg8wc
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Não digas nada!
Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.
(F. Pessoa)
segunda-feira, 4 de junho de 2012
O Passeio de Joana
—
Eu ME DISTRAIO muito,
disse Joana a Otávio.
Assim
como o espaço rodeado por quatro paredes tem
um
valor específico, provocado não tanto pelo fato de ser
espaço
mas pelo de estar rodeado por paredes. Otávio
transformava-a
em alguma coisa que não era ela mas ele
mesmo
e que Joana recebia por piedade de ambos, porque os
dois
eram incapazes de se libertar pelo amor, porque aceitava
sucumbida
o próprio medo de sofrer, sua incapacidade de
conduzir-se
além da fronteira da revolta. E também: como
ligar-se
a um homem senão permitindo que ele a aprisione?
como
impedir que ele desenvolva sobre seu corpo e sua alma
suas
quatro paredes? E havia um meio de ter as coisas sem
que as coisas a possuíssem? [...]
(Clarice)
(Clarice)
2X Cecília - 2X Campos Mortos
Inscrição na areia
O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!
Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?
O meu amor não tem
importância nenhuma.
(Cecília)
Caminho pelo acaso dos meus muros
Caminho pelo acaso dos meus muros,
buscando a explicação de meus segredos.
E apenas vejo mãos de brando aceno,
olhos com jaspes frágeis de distância,
lábios em que a palavra se interrompe;
medusas da alta noite e espumas breves.
Uma parábola invisível sabe
o rumo sossegado e vitorioso
em que minha alma, tão desconhecida,
vai ficando sem mim, livre em delícia,
como um vento que os ares não fabricam.
Solidão, solidão e amor completo.
Êxtase longo de ilusão nenhuma.
(Cecília)
O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!
Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?
O meu amor não tem
importância nenhuma.
(Cecília)
Caminho pelo acaso dos meus muros
Caminho pelo acaso dos meus muros,
buscando a explicação de meus segredos.
E apenas vejo mãos de brando aceno,
olhos com jaspes frágeis de distância,
lábios em que a palavra se interrompe;
medusas da alta noite e espumas breves.
Uma parábola invisível sabe
o rumo sossegado e vitorioso
em que minha alma, tão desconhecida,
vai ficando sem mim, livre em delícia,
como um vento que os ares não fabricam.
Solidão, solidão e amor completo.
Êxtase longo de ilusão nenhuma.
(Cecília)
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